quarta-feira, janeiro 25, 2006

Continuando...

Um dos problemas da nossa atitude desmistificadora é que atenta contra toda a tradição cultural baseada em que com o casamento se resolve tudo. Todas as histórias de amor terminam com um final feliz. Tal como se julga que os filhos resolvem os problemas de afecto do casal, quando na realidade, com a vinda destes, surgem novos problemas, e muitas vezes os anteriores agravam (mas disto falaremos outra altura). O casal é um caminho novo, um desafio. Com ele tudo começa, excepto uma coisa: a fantasia de uma vida ideal sem problemas. É duro ter de deixar de lado as nossas fantasias sobre o que poderia ser. Normalmente, quando se dá conta que não é assim, começa a “odiar-se o culpado”. O que se deve esperar do outro é um companheiro no nosso caminho, na vida, alguém que dê alento e que por sua vez receba alento com a nossa presença. Mas, sobretudo, alguém que não interfira no nosso caminho de vida. O pior das crenças é que se supõe que buscamos a nossa outra metade. Porque não tentarmos encontrar alguém inteiro em vez de nos conformarmos com alguém partido pela metade? O amor constrói-se entre seres inteiros que se encontram, não entre duas metades que precisam uma da outra para se sentir completas. Quando precisamos do outro para subsistir, a relação torna-se dependente. E, na dependência, não se pode escolher. E sem escolha, não há liberdade. E sem liberdade não há amor verdadeiro. E sem amor verdadeiro, poderá até haver matrimónio, mas não haverá casal.

18 Deram-se a conhecer:

Blogger JNM disse...

Há muito que não era o primeiro...eh, eh.

Sabes que concordo inteiramente com este post. O casamento é um começo, não o climax do namoro. Mas é claro que tradicionalemte depois do climax é sempre a descer. O casamento é visto como um troféu...algo a mostrar aos outros, uma aliança bem grossa no anelar esquerdo. O outro faz parte desse show. É o actor secundário da nossa peça, aquele que diz as deixas...e quando de acto em acto a farsa vai correndo, a trama vai-se desfazendo, e nesssa altura, na altura do desalento o Amor terá que vir salvar a situação. O tal Amor Inteiro, verdadeiro herói desta peça...e depois, se existe tudo acaba bem se não existe....

Beijo

10:02 p.m.  
Blogger Eva Shanti disse...

Para mim o csamento é a forma mais corrente e universalmente aceite para institucionalizar uma união, na maior parte dos países, apenas entre duas pessoas do mesmo sexo.

É uma união de direito. Há quem opte pela união de facto, que não é um casamento, embora tenda a ser vista como tal. Não união de facto não há deveres matrimoniais, não há bens comuns (há compropriedade que é diferente).

Ainda bem que hoje há várias alternativas de relacionamento. Há relações abertas, relações fechadas, swing ou troca de casais...

Há mesmo casamentos à face do Direito em que cada um mantém a sua casa, independentemente do casal ter uma vida em comum.

Este é um tema muito interessante e que gostava de desenvolver, um dia destes...

Bjs

P.S. Deixei-te umas palavritas lá no meu cantinho.

10:24 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Você fez uma reflexão sensata e muito inteligente também . Parabéns ! Meu carinho para você.

10:49 p.m.  
Blogger Amaral disse...

Mas todas as histórias, quer sejam de amor ou não, deviam terminar com final feliz! O casamento (união apepalada) já não resolve o quer quer seja… a menos que haja sinceridade, verdade e alegria de viver. Um amor dependente não resulta e nem sequer é "amor". Amar é reconhecer a liberdade de cada um. É aceitar as diferenças para ambos poderem participar livremente na Criação.

1:01 a.m.  
Blogger Su disse...

não é forçoso q todas as histórias tenham um final feliz, a vida prova o contrario...

qto ao casamento é um simples contrato comercial

jocas maradas e apressadas, volto depois com mais calma

8:37 a.m.  
Blogger Fausta Paixão disse...

finais felizes???
Só aos bocadinhos, em cada dia ou em cada noite, depois dos projectos se terem desmoronado e de nunca mais se acreditar ser possível ter ilusões.
Nada resolve nada a não ser nós mesmos, de preferência com muito humor sobre as nossas pequenas "desgraças"...

5:15 p.m.  
Blogger antónio paiva disse...

....... o sentimento de posse normalmente associado ao casamento.... deita por terra o essencial...... enquanto se celebrarem contratos não há afectos que resistam...... :)

8:27 p.m.  
Blogger Meia Lua disse...

Uns casam por conveniência, outros porque toda a gente casa, outros pela família... poucos por amor.
Como tão bem o texto explica, uns tornam-se dependentes e continuam casados por não se conseguirem imaginar a viver sozinhos.
Os dois inteiros, é o ideal, difícil de alcançar, mas não impossível, de todo.

11:09 a.m.  
Blogger João C. Santos disse...

Bom dia...
Temos de procurar bem onde está o "amor"...
O casamento, os valores porque casamos hoje em dia estão muito confusos muito distantes e nada têm haver com amor, nada mesmo...as pessoas não estão para sofrerem até que a morte os separe...isso morreu tudo...hoje somos egoistas...o que importa sou "eu"...

Um beijo...

João C. Santos

11:29 a.m.  
Blogger Rui disse...

Fiquei esta semana a saber que um casal amigo se vai separar. Para ela foi a surpresa total quando, há dias, ele lhe deu a entender que algo não estava bem.
Tinham vivido alguns anos juntos, sem se casarem mas acharam que o deviam fazer. Agora terminou.

1:07 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

E que uma coisa é o casamento, outra é o amor !
Pode haver casamento com ou sem amor e pode haver amor com ou sem casamento.
Para haver casamento duràvel, deve haver amor, mas também capacidade de "dar espaço ao outro" : eu sou eu e fico eu e ele(ela) é ele e fica ele.
Quando começamos a criticar e não mais somos capazes de "suportar" o outro, então jà não hà amor, e o casamento vai por "àgua abaixo" !

Viva o casamento duràvel ! Eu jà vou fazer 17 anos en fevreiro ...

1:59 p.m.  
Blogger nspfa disse...

Poucas vezes se lê algo com tanta lucidez aceca deste problema que mais tarde ou mais cedo a todos afecta!Excelente.

4:46 p.m.  
Blogger Eva Shanti disse...

«O amor constrói-se entre seres inteiros que se encontram, não entre duas metades que precisam uma da outra para se sentir completas»

Não é necessário dizer mais nada. Tá tudo dito!

Bjs

6:30 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Este post está incrível! Excelente.
Parabéns pelo blog e obrigada pelas grandes mensagens que aqui nos deixas..

9:43 p.m.  
Blogger Penumbra disse...

confesso que não esperava ler a estas horas um post destes!
Parabéns por ele e pelo blog em si! Brilhante!
Beijo

4:04 a.m.  
Blogger João C. Santos disse...

Um beijo de bom dia desconhecida...

7:30 a.m.  
Blogger M.M. disse...

Essa história da outra metade tem muito que se lhe diga. Isso pressupõe que não somos inteiros. Pois se o não somos, não é noutra pessoa que vamos encontrar a parte que nos falta, mas sim dentro de nós mesmos. As pessoas têm de se mentalizar que um companheiro(a) deve ser um complemento e não um preenchimento.

3:13 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Eu concordo e sei do que falo. Casei há 4 anos e para o meu marido está tudo bem... mas para mim não.
Falta tudo aquilo pelo qual me casei, afecto, sexo, amizade, enfim.
Sou muito nova e acho que estou a perder tempo com ele.

11:46 p.m.  

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