quarta-feira, outubro 26, 2005

Usa bem a língua!

A forma como nos expressamos é o que melhor no define. Além disso, com a linguagem, detalhamos e modificamos o mundo à nossa maneira. Somos o que falamos! Há quem pense que a nossa imagem vale mais do que as nossas palavras e, realmente, quanto não é dito num simples olhar? Mas para haver uma avaliação mais precisa sobre a nossa imagem existem factores que a compõem, e dando como exemplo os principais: palavras, entoação, vocabulário, gestos, olhar, expressão corporal, entoação, tom de voz, pausa e o ritmo. Sempre que estamos com outras pessoas emitimos permanentemente mensagens. As posições corporais são exemplo disso.Quanto não é revelado pela forma trémula como as mãos se tocam nervosamente no colo, ou na subtileza com que se passa a mão pelo cabelo… Não parece haver dúvidas de que a palavra é o expoente máximo da nossa capacidade de comunicar, mas muito do que somos, transmitimo-lo muitas vezes inconscientemente, pela linguagem não verbal. Comunicamos por gestos, por expressões e até por silêncios. Quão expressivo pode ser um incomensurável silêncio? Quantas vezes a comunicação não verbal, contradiz o que está a ser transmitido por palavras? Temos de estar atentos e ler nas entrelinhas. Mesmo quando nos restringimos à linguagem verbal, a verdade é que, à medida que o discurso se vai enriquecendo e sofisticando, se torna mais difícil apurar a verdade por detrás das palavras. Como se, nos diversos papéis sociais que aprendemos a desempenhar, a maturidade fosse avaliada pela capacidade de nos escondermos atrás da elaboração do discurso. Há quem diga que a inteligência social se aprende. Aprendemos a esconder, a não revelar, a encobrir, a distorcer. Por isso mesmo, é importante a capacidade de “lermos” os outros sinais. Paradoxalmente, ou talvez não, neste jogo de conhecermos e decifrarmos o outro, a primeira impressão continua a ter um peso imenso na imagem que construímos. Se existe empatia à primeira vista, temos relutância em dar credibilidade às informações contrárias que vamos recebendo, convictos que a nossa impressão inicial não pode estar errada. O mesmo acontece quando não simpatizamos no primeiro contacto. Quase nos impedimos de construir uma boa imagem da pessoa, à medida que a conhecemos melhor e isso contradiz a ideia inicial. Em extremos, podemos ser totalmente incompetentes na matéria que expomos e mesmo assim conseguir causar boa impressão, se soubermos “embalar” bem a nossa ignorância. Os políticos são um bom exemplo disso, com os seus conselheiros de imagem aprendem a gerir todos os gestos de acordo com o que pretendem transmitir. Interessante é saber que 60% das pessoas mentem pelo menos uma vez, durante uma conversa de apenas 10 minutos. Conscientemente ou inconscientemente mentimos. Por isso a nossa sobrevivência social parece depender da capacidade de descodificar a linguagem, principalmente a não verbal, na busca incessante de sinais esclarecedores sobre a “verdade” do outro.

7 Deram-se a conhecer:

Anonymous Anónimo disse...

Não sei se todas as pessoas mentem 1 vez numa conversa de 10 minutos, mas conheço algumas que mentem bem mais que isso...vá-se lá saber porquê.

Beijos miga

Nota: Excelente Post!!

8:49 p.m.  
Blogger Cabisbaixo disse...

Dois terços da comunicação que estabelecemos com os outros é do tipo não verbal, isto é, altamente volátil e pouco controlada. Aqui reside a chave do entendimento do outro: perceber o que as mãos, o corpo, tudo aquilo que os outros têm de mais "sincero".

Para além disso, o comportamento de interacção com os outros é sempre marcado por uma "apresentação" do eu de forma a projectarmos de nós uma ideia que queremos que os outros tenham de nós. Goffman escreve sobre esta ideia de forma magistral em "A apresentação do eu na vida de todos os dias", editado pela Antropos (se não me falha a memória).

As máscaras que usamos somos nós, mas a linguagem não verbal trai-nos sistematicamente...

Beijos

11:03 p.m.  
Blogger Mocho Falante disse...

Pois....está na natureza humana!!!

Quem nunca mentiu? Niguém!!!

Excelente texto

12:18 a.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Um texto que dá para reflectir...muito bem concebido! Beijinhos e bom fim de semana :)

2:20 p.m.  
Blogger JNM disse...

Um gesto vale por mil palavras. O povo lá sabe o que diz. De repente apercebi-me que tenho que ter mais cuidado ao gesticular enquanto falo...

Bom fds.

2:23 p.m.  
Blogger Wakewinha disse...

Gostei imenso desta tese. Particularmente da comunicação por gestos, por "vocábulos corporais", e principalmente, pelo silêncio! O silêncio é mais devastador do que um milhão de palavras atrozes e violentas! Não concordas?

Quanto ao último parágrafo, sobre mentirmos pelo menos uma vez numa conversa de 10 minutos, vou estar atenta ao meu subconsciente, para ver se concordo!

Beijinhos e boa semana*

12:29 a.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Keep up the good work
» » »

3:50 a.m.  

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